Pensamento do Dia...

"É legítimo querer que nos amem por quem somos … mas é nossa a responsabilidade de sermos quem somos…fielmente."

terça-feira, 2 de junho de 2009

Espirito vs Corpo!

Foi numa conversa com a minha amiga sombra de saturno, que percebi como existe uma metáfora tão lógica e adequada para o trabalho espiritual, emocional.
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A maioria das pessoas tem ideia que as massagens tem como principal objectivo proporcionar o relaxamento, o que não é de todo verdade, porque existe também a vertente terapêutica das massagens, diminuir dores, melhorar patologias...mas a sessão será tudo menos "relaxante", apesar de poder induzir um posterior relaxamento através do alivio das dores.
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No entanto costumo perguntar a quem faço massagem se quer relaxar ou se quer que ajude a diminuir as dores que tem, porque ambas em simultaneo é impossivel. Só que há um senão...para que as dor seja aliviada e vou precisar provocar mais dor, pode parecer contraditório, mas se pensarmos que essa área está sensivel, dorida até, percebemos que a pressão na área pode ser bastante dolorosa.
O mais comum é me responderem que preferem que doa durante o tratamento e depois sentir alivio, de que andar sempre com a dor e aproveitar só aquele tempo de relaxamento.
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Onde quero chegar com isto?! Porque não somos as mesmas pessoas quando se trata de emoções, quando se trata do Espirito?
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Andamos uma vida com uma dor constante, apenas para fugirmos aquela dor maior,
simbolizada pelo momento da massagem, em que literalmente a área é massacrada. Não queremos aceder aqueles pontos dolorosos que nos aliviariam posteriormente a dor...não estamos dispostos a passar por esse sentimento, mas sim em evitá-lo. E quando se diz vamos lá a essa tua dor, a pessoa pede o relaxamento emocional, de forma a ir apenas sentindo uma pequena dor...que no final de contas não deixa espaço para que haja um só momento de verdadeiro relaxamento!
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O que escolheriam para o corpo? e para o espirito? uma dor aguda mas passageira, ou uma dor mais suave mas constante?

8 comentários:

Marise Catrine disse...

Essencialma,
Concordo plenamente com o (primeiro) objectivo das massagens. Neste momento, face a uma dor intensa na zona lombar, encontro-me a frequentar massagens terapeuticas que, no momento, são autênticos golpes de kung fu. Depois sim, vem o bem estar e o relaxe.
O mesmo acontece com a nossa alma. Sem dúvida que prefiro uma dor aguda e passageira, mas nem sempre consigo resistir ao ímpeto de adiar a resolução de um problema e deixo-me embalar pela dor suave.
Acho que faz parte da nossa essência. Mas percebo que devemos contornar esta tendência.
Aqui estão bons pontos de reflexão!
Beijocas

Shin Tau disse...

Bolas... não hesito um segundo, uma dor aguda mas passageira. Não sirvo para viver em dor, se é para experimentar que seja já!!! Mas às vezes isso provoca dores desnecessárias rkrkrkrkrk não há receitas.

Gostei de saber que fazes massagens, estava mesmo a precisar...anda aqui um bloqueio algures que se revela nos joelhos (sim, sou muito inflexível

Beijoca e gosto muito da forma como escreves.

Essencialma disse...

Marise,
Acho que todos nós somos assim, deixamo-nos embalar por vezes pela dor mais confortável...tentamos ser atentos, não fugir...mas o ego é mestre em disfarçar e levar-nos a fugir...
Mas vamos fazendo o que sabemos e que podemos, quando nos deparamos com essas dores.

Fico feliz por iniciarmos uma conversa, agora aqui pelo meu blog.
Beijinhos

Essencialma disse...

Shin Tau,
Não sei ao que te referias quanto à dor desnecessária, mas para mim toda a dor terapeutica é necessária.
O que acontece é que por vezes sofremos desnecessariamente, no que diz respeito a ressentimentos, culpas, dificuldades em perdoar, sofremos porque não temos consciência que de um modo ou de outro somos SEMPRE responsáveis pelo que nos acontece, seja pela acção ou inacção.

Agora essa dor terapeutica que falo, aquela que surge de percebermos que não temos controle sobre a vida, que ela tem um rumo próprio, no qual só poderemos ser fieis a nós próprios...a dor de aceitar toda a impotência, sobre as escolhas dos outros...
Esta dor para mim, depois de vivida traz uma tranquilidade, uma nova perspectiva sobre a vida...agora o processo, doer...dói muito.

Beijinhos, vamos continuar esta partilha tão agradável!

Joana disse...

Amiga, eu sobre este tema posso falar à vontade pq faço massagem terapeutica há 2 anos.
Sabes porque nas massagens a pessoa não tem problema em dizer que perfere uma dor aguda e passageira do que ficar com o relaxamento e sentir uma dor leve mas constante? Porque nas massagens é outra pessoa que o conduz à dor. A pessoa não vai sozinha à dor. Que é o que acontece com as dores da alma. Irmos sozinhos, por nosso iniciativa vivenciar a dor da alma é muito mais complicado. Nem sempre se consegue. Felizmente existem terapeutas que nos ajudam nessa tarefa. ;)
Beijocas

Essencialma disse...

Joana,
É mesmo amiga...ainda bem que temos os terapeutas para nos ajudar nesse processo e apoiar....é muito bom poder contar com eles!
Mas não sei se será bem por isso que as pessoas escolhem a dor na massagem...eu acho que o facto da dor ser fisica...não as deixa fugir, esquecer...ela é constante está sempre lá...mesmo com analgésicos ela acaba por volta...
Enquanto que na dor da alma, ao não focar, ao não por consciência consegue-se criar a ilusão de que não está lá...as pessoas convencem-se que a dor é parte da sua personalidade, que é delas...e não que é algo que está ali para trabalhar...e só depois de acedermos e permitir que ela vá embora é que sentimos a diferença, afinal ela não sou eu...ou então a vida numa altura ou noutra vai tratar de mostrar o verdadeiro tamanho da dor!

Beijinhos

Lili disse...

Gostei do assunto do seu texto. Pessoalmente infelizmente passo a vida a fazer massagens terapeuticas e prefiro que me aliviem das contracturas do que um simples relax...Em relação a dor da alma, para a curar, é preciso voltar a sofrer, compreender o que se passou e aceitar/perdoar e depois deixar ir...

Essencialma disse...

Lili,
Concordo absolutamente....dificuldade é aceitar..principalmente quando se trata de nós próprios e respectivas limitações!